Está na hora de modernizar a sua empresa?

Está na hora de modernizar a sua empresa?

By Andréia Frota
Em 28/04/19

Está na hora de modernizar sua empresa?

Se você é como eu, que adora tecnologia, especialmente quando se refere a máquinas de bordado, costura, computadores, tablets e afins, certamente está se perguntando: está na hora de trocar de máquina? Oi? Máquina de bordar? Siiim!!! Adivinha! Nas horas vagas eu amo fazer patchwork e quilts bordados… Pintura em MDF, tricot, crochet… pense em uma forma de artesanato e, muito provavelmente eu já estive por lá…

Porém, uma coisa é a modernização por hobby: eu compenso o custo dos equipamentos e materiais substituindo no orçamento pessoal outros itens que não considero tão relevantes na minha vida. Ao invés de trocar de carro, por que não comprar uma bordadeira computadorizada ou uma super máquina de costura com potência suficiente para costurar um acolchoado? Não que seja certo ou errado trocar de carro ou comprar um celular de última geração, por exemplo. É tudo uma questão de preferência pessoal, escolhas e, é claro, planejamento para não apertar nas contas…

Mas quando estamos falando de investimento e negócios, a história é um pouco diferente. Todo investimento em modernização precisa fazer sentido: a compra de novos equipamentos permitirá aumentar a produção e/ou o faturamento, sem afetar as margens de lucro? Não modernizar, poder colocar a empresa em risco, abrindo espaço para a concorrência? Qual o valor que o novo equipamento agregará ao seu negócio e ao cliente? Lembrando: “valor” não é a quantidade de dinheiro, mas sim, de “interesse” ou “desejo” que se pretende agregar.

Vamos a um exemplo: supondo que você tenha uma confecção de bolsas de tecido (ecobags). A empresa não tem empregados e produz, mensalmente, 3.000 peças a um custo unitário de R$ 10,00. As peças são vendidas a R$ 15,00, gerando uma margem de lucro de R 5,00 por peça, ou seja, 33,33%. Porém, analisando o mercado, você percebeu que se as sacolas tiverem alguns detalhes bordados, como o nome da pessoa ou empresa que adquire as bolsas ou imagens de personagens infantis, talvez seja possível ampliar o mercado de vendas, aumentar a quantidade de peças vendidas e/ou o preço de venda aplicado atualmente. Vamos fazer as contas?

Peças produzidas por mês ( q ):                  3.000
Preço de venda médio ( PV ):  R$            15,00
Custo de mercadoria vendida (CMV):  R$            10,00
(incluindo tributos)
Faturamento no mês ( q x PV ):  R$    45.000,00
Lucro Líquido:  q x ( PV – CMV):  R$    15.000,00
Lucro por peça (PV-CVM):  R$              5,00 33,33%
Preço do equipamento e acessórios (a):  R$      9.000,00
Tempo de vida útil (em anos = t):                          5
Manutenção anual (m):  R$         450,00
Custo mensal:
Depreciação: a / (t * 12)  R$         150,00
Provisão para manutenção ( m / 12):  R$            37,50
Operador (remuneração e encargos):  R$      3.000,00
Material (linha, entretela, agulhas, etc):  R$         200,00
Energia elétrica:  R$         100,00
Total:  R$      3.487,50
Custo adicional por peça:  R$              1,16
CMV novo  (CMV + custo adicional):  R$            11,16
Mantendo a margem de lucro anterior
o preço final passaria para:  R$            16,74 (PV x CMV novo) / CMV anterior

Agora, antes de decidir pela aquisição, você precisa responder às seguintes perguntas:

1. Você possui disponível o valor do investimento (no nosso exemplo, R$ 9.000,00)? Caso não tenha disponível o valor necessário ao investimento, não esqueça de incluir o valor dos juros no custo de aquisição. E, nunca, nunca, nunca, jamais em tempo algum se esqueça: o valor disponível para a compra de bens e mercadorias de forma parcelada não é a sua receita bruta (no exemplo acima, R$ 45.000,00), mas sim, um percentual da sua margem de lucro mensal (a parcela dos R$ 15.000,00 que você não utiliza como capital de giro ou como retirada para sustento próprio). O ideal é que você faça uma “reserva de lucros” para investimentos futuros, evitando o gasto com juros e endividamento da empresa.

2. Seu produto continuaria viável a um preço de venda de R$ 16,74?

3. Você teria condições (tempo disponível) para produzir mais de 3.000 peças mensais ou seria necessário contratar mais um operador? Caso necessite mais um operador, não se esqueça de incluir este valor nos custos.

4. Caso decida aumentar a produção, existe mercado para estes produtos?

5. O que muda no seu planejamento estratégico em termos de distribuição, mercado e parcerias?

Importante:

  1. Os cálculos foram realizados com números hipotéticos. Antes de comprar qualquer equipamento, pesquise o preço real, custo de manutenção, consumo de energia, materiais de consumo (agulhas, entretelas, linhas, bobinas extras, bastidores extras, tintas, custo de mão-de-obra adicional para ajudar na confecção e demais elementos que afetam o seu custo).
  2. Calculamos a margem com base em uma tributação mensal fixa, como ocorre no MEI. Em caso de empresas sujeitas à tributação sobre receita e venda, é necessário adicionar o novo custo tributário incidente sobre o incremento de preço (ICMS, PIS, COFINS, etc).

Bjs.

E até a próxima…

Sobre o Autor

Andréia Frota administrator

Advogada e contabilista, especialista em Direito Tributário e Previdenciário, com mais de 20 anos de experiência na área. Formada ainda em administração, é uma ávida devoradora de livros e apaixonada por cursos livres. Estudou gestão de riscos e gestão de projetos em Stanford, Estados Unidos, escrita criativa em Oxford, Inglaterra, dentre vários outros assuntos de interesse pessoal.

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